O país que governa o que não sabe e bloqueia o que não entende
Há uma forma de desordem que não se parece com caos, parecendo-se antes com burocracia, com procedimentos a decorrer e planos a ser aprovados. Portugal tem desenvolvido uma aptidão notável para produzir toda esta atividade sem que dela resulte mudança estrutural na forma como gere os seus resíduos.
O problema é, em parte, a inércia de quem devia decidir e não decide, mas é também a energia gasta a bloquear o que devia avançar, por quem não tem competência para o bloquear, e com argumentos que não tem autoridade para formular.
Insistimos em tratar o incumprimento das metas europeias como questão de sensibilização insuficiente ou de autarquias mal financiadas, quando há uma hipocrisia confortável que convém nomear. Os autarcas que nas campanhas prometem sustentabilidade e economia circular são, frequentemente, os mesmos que se opõem à expansão de qualquer infraestrutura de tratamento no seu município, amplificam o alarme das populações e chegam a suspender obras já licenciadas sem fundamento técnico. A gestão de resíduos exige decisões que não rendem votos, e é por isso que raramente são tomadas.
Há nisto uma dimensão que transcende a demagogia eleitoral. Com frequência crescente, municípios indeferem pedidos de construção........
