“A direita é o diabo”. Foi com esta frase que o mais incompetente primeiro-ministro da história da democracia, o mais perigoso político português desde Álvaro Cunhal e o mais hipócrita dos actores políticos da actualidade foi incensado no panteão socialista.

Não sou homem de acusações vãs: digo hipócrita no sentido que Ambroise Bierce lhe deu no seu Dicionário do…diabo. Hipócrita é aquele “indivíduo que, ao professar virtudes que não respeita, assegura as vantagens de parecer ser aquilo que despreza.”

A afirmação, gritando empolgadamente para júbilo da plateia, de que “a direita é o diabo” é a mais ignominiosa afirmação de um primeiro-ministro em funções de que me recordo. O último tinha sido…Costa. Costa tem esta capacidade de descer sempre mais um degrau na escadaria da indecência e má figura: depois do “são uns cobardes” (para desqualificar os médicos durante a pandemia), dos “queques que guincham” (para enxovalhar os liberais) e do “habituem-se” (para zombar da oposição), agora é o tempo da diabolização de todo o espaço político democrático à sua direita.

A diabolização dos “outros” é, qualquer estudante de Politics 1.0.1 o sabe, a tática mais grotesca e primária dos populistas e dos inimigos da democracia. E Costa, sempre pronto a gritar “cuidado com os populistas”, consegue nesta matéria ultrapassá-los a todos pelo lado…de baixo.

O homem que, tendo perdido as eleições, e que se coligou a comunistas e neo-comunistas, de entre os quais se contam amantes de ditaduras, é o homem que vem falar dos perigos que ameaçam a democracia.

Mas a coisa é estrutural. Neste fim de semana, o PS, partido fundador e essencial da democracia portuguesa, entregou-se despudoradamente ao freak show do transformismo, revelando o que é hoje em dia: um partido obstinado pelo poder e que despreza tudo e todos os que a ele não se subjugam. Foi um festim, ninguém saiu ileso: dos ataques ao Presidente da República, à Procuradora-Geral da República e ao Ministério Público à diabolização e enxovalho dos adversários políticos.

O partido que mais ferreamente exerce o poder que conquista e que usurpa, o partido que substituiu, nas primeiras oportunidades, a Procuradora-Geral da República, o Presidente do Tribunal de Contas e o Governador do Banco de Portugal, o partido que colonizou todos os lugares de poder do Estado, que interferiu em todos os reguladores, o partido que controla boa parte da sociedade civil, da academia e da comunicação social a troco de aproximações aos poderes e transferências de dinheiro; o partido do

“quem se mete com o PS leva”, o partido do "eu gosto é de malhar na direita”, o partido do “o dinheiro é do Estado, o dinheiro é do PS”; este é o partido que se quer apresentar como o alfa e ómega da democracia portuguesa.

E talvez tenha razão. Se o fado é a música, a tragédia é o mote. Portugal é uma quadra popular, que o PS conhece melhor que ninguém, porque ajudou a escrever: se houver festa e dinheiro no bolso para imperiais, e ninguém me chatear, “os gajos são todos iguais”, e ninguém está para mudar…

Infelizmente, o país precisa mesmo de mudar. Que o digam os desvalidos do Serviço Nacional de Saúde, os familiares daqueles que morreram em corredores hospitalares ou em ambulâncias enquanto procuravam urgências abertas, os que apodrecem à espera de uma consulta, os abandonados sem médico de família. Que o digam as famílias, cujos filhos sabem cada vez menos e cujas interrupções lectivas são cada vez mais. Que o digam os pais e os filhos, obrigados à separação pela emigração, porque tal como no tempo de Salazar, só lá fora se encontram as respostas justas às aspirações legítimas. Que o digamos todos, que queremos uma sociedade mais justa e mais próspera, e que olhamos para um país governado por incompetentes onde se fala muito de redistribuição de riqueza e nada sobre a sua criação.

Mas Pedro Nuno Santos, o novel líder mas já vetusto responsável, sem acto de contrição nem vergonha na cara, veio dizer que só o PS pode entregar as soluções de que o país necessita. Como se tivesse chegado agora, limpo, novo, impoluto, do éter. Um homem que foi governante durante 8 dos últimos 9 anos. O homem que lidera o partido que governou 22 nos últimos 29 anos, diz que se o país está assim, a culpa é da oposição. A tal que Costa diz ser o diabo.

O diabo chegou há muito e ainda está entre nós: nos centros de saúde, nos hospitais, nas escolas, nos transportes, na economia, na justiça, nos serviços públicos. E esta é, para nós, hoje, palavra de humilhação.

Pedro Gomes Sanches escreve de acordo com a antiga ortografia.

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O diabo está entre nós

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08.01.2024

“A direita é o diabo”. Foi com esta frase que o mais incompetente primeiro-ministro da história da democracia, o mais perigoso político português desde Álvaro Cunhal e o mais hipócrita dos actores políticos da actualidade foi incensado no panteão socialista.

Não sou homem de acusações vãs: digo hipócrita no sentido que Ambroise Bierce lhe deu no seu Dicionário do…diabo. Hipócrita é aquele “indivíduo que, ao professar virtudes que não respeita, assegura as vantagens de parecer ser aquilo que despreza.”

A afirmação, gritando empolgadamente para júbilo da plateia, de que “a direita é o diabo” é a mais ignominiosa afirmação de um primeiro-ministro em funções de que me recordo. O último tinha sido…Costa. Costa tem esta capacidade de descer sempre mais um degrau na escadaria da indecência e má figura: depois do “são uns cobardes” (para desqualificar os médicos durante a pandemia), dos “queques que guincham” (para enxovalhar os liberais) e do “habituem-se” (para zombar da oposição), agora é o tempo da diabolização de todo o espaço político democrático à sua direita.

A diabolização dos “outros” é, qualquer........

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