A soberania também se aprende
Durante décadas, Portugal habituou-se a pensar a Defesa Nacional como uma realidade distante, quase administrativa, entregue a profissionais especializados e desligada da experiência quotidiana da maioria dos cidadãos. A paz prolongada no espaço europeu, a integração atlântica e o fim do serviço militar obrigatório consolidaram a ideia de que a segurança coletiva era uma infraestrutura invisível: estava lá, funcionava, e não exigia grande reflexão pública.
Mas o mundo mudou e de forma rápida.
A guerra regressou ao continente europeu com uma intensidade que muitos julgavam impossível no século XXI. A instabilidade geopolítica deixou de ser uma abstração debatida em conferências académicas para se tornar um fator concreto da vida económica, política e social das democracias ocidentais. Hoje, a segurança energética, os ciberataques, a desinformação, a vulnerabilidade das cadeias logísticas e a necessidade de dissuasão militar fazem parte do vocabulário quotidiano.
Portugal não está imune a esta transformação, nem poderia estar. É por isso que não podemos continuar a olhar para a Defesa Nacional com os olhos de uma era que já terminou. O debate público mantém-se genericamente preso a preconceitos antigos: ou se reduz a questão militar a uma memória histórica desconfortável, ou se assume que as Forças Armadas existem apenas para missões especializadas, longe da realidade civil.
Pelo caminho, criou-se um fosso crescente entre as gerações mais novas e a instituição militar e esse afastamento talvez seja hoje um dos sinais mais evidentes da erosão do sentido de comunidade nacional. Milhares cresceram sem qualquer contacto com a ideia de serviço ao país fora do plano simbólico. Muitos........
