Ceuta e o custo político da impreparação
As imagens que chegam de Ceuta não devem ser reduzidas a mais um episódio de pressão migratória na fronteira sul da Europa. Estamos inequivocamente perante uma crise humanitária, uma grave falha no controlo de uma fronteira externa da União Europeia e, sobretudo, a consequência de uma política que confundiu durante demasiado tempo solidariedade com ausência de estratégia.
Milhares de pessoas procuraram entrar em território espanhol a partir de Marrocos, muitas delas lançando-se ao mar. Entre estes encontram-se menores, famílias e pessoas empurradas para rotas onde o desespero se cruza com a exploração das redes criminosas.
Os números continuam a ser atualizados, mas a dimensão da crise é inequívoca: as estruturas de acolhimento ficaram saturadas, as forças de segurança foram ultrapassadas e o Governo espanhol voltou a mobilizar os meios necessários apenas depois de a emergência estar instalada.
Pedro Sánchez procura apresentar Ceuta como um acontecimento súbito e imprevisível - os dados, porém, contam outra história. Até 15 de julho, antes do agravamento desta crise, as entradas irregulares por via terrestre em Ceuta já tinham aumentado de 1.133 para 2.826 face ao período homólogo de 2025. As autoridades locais vinham alertando para a sobrelotação das estruturas e, em particular, dos centros destinados a menores estrangeiros não acompanhados.
O Governo espanhol teve sinais, teve tempo e teve avisos quanto bastassem. O que não teve foi uma estratégia capaz de antecipar a crise que crepitava.
A política migratória de Pedro Sánchez tem sido marcada por decisões avulsas, por mensagens contraditórias e por uma excessiva dependência da cooperação marroquina. Controlar uma........
