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A Arte lenta de aprender

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19.03.2026

Para muitos, o nome Eric Kandel não será estranho. Na década de 1970, esse neurocientista austríaco-americano decidiu estudar a memória num pequeno molusco marinho chamado Aplysia. À primeira vista parece improvável, mas foi precisamente esse animal que o ajudou a perceber algo extraordinário sobre como o cérebro aprende. Sempre que o animal demonstrava ter aprendido algo novo, as ligações entre os seus neurónios fortaleciam-se como se o cérebro estivesse a redesenhar a sua própria estrutura. Foi uma verdadeira revolução na forma como passámos a entender o que significa aprender. A partir daí, e graças a muitas outras investigações que se seguiram, tornou-se evidente que aprender deixa uma marca física no sistema nervoso, o que significa que o processo de aprendizagem consegue esculpir, pouco a pouco, a arquitetura do cérebro.

A descoberta valeu a Eric Kandel o Prémio Nobel e ajudou a consolidar uma ideia que hoje é fundamental para a forma como entendemos o que significa aprender nas escolas, nas universidades e ao longo da vida. Aprender implica que o cérebro reorganize as suas ligações internas para compreender melhor o mundo. Não se trata apenas de guardar mais informação, como quem acrescenta........

© Expresso