A guerra que ninguém consegue ganhar |
A campanha militar americana conseguiu degradar capacidades iranianas, mas não conseguiu produzir aquilo de que Washington mais precisava: uma mudança no cálculo de Teerão. O regime continua de pé, conserva capacidade de retaliação, pressiona as rotas marítimas e não dá sinais claros de capitulação. A questão deixou, por isso, de ser saber quanto dano os Estados Unidos conseguem infligir ao Irão. A questão é saber quanto tempo conseguem sustentar uma guerra que, apesar da superioridade militar, não produziu uma solução política.
Donald Trump encontra-se perante uma escolha entre duas alternativas difíceis. Escalar pode aumentar a pressão sobre o regime, mas também abrir uma guerra de dimensão muito maior, com ataques contra bases americanas, aliados regionais e infraestruturas energéticas. Negociar permitiria ao Irão recuperar espaço económico e político e, com ele, a possibilidade de reconstruir capacidades que Washington pretendia eliminar. A margem para uma solução intermédia é cada vez mais pequena. Uma guerra limitada, se prolongada, começa a acumular precisamente os custos que uma guerra limitada deveria evitar.
Os Estados Unidos podem ter capacidade para destruir mais, mas isso não significa que tenham capacidade para defender indefinidamente tudo aquilo que precisam de proteger. Este paradoxo não é abstrato. A guerra dos intercetores tornou-se uma guerra dentro da guerra. Mais de mil e duzentos mísseis Patriot terão sido utilizados, a um custo superior a quatro milhões de dólares cada, colocando pressão sobre reservas que não são infinitas.
Cada nova vaga de ataques iranianos obriga os Estados Unidos a gastar munições defensivas para proteger tropas e bases, enquanto Teerão pode procurar impor custos muito superiores ao preço dos meios utilizados para os provocar. A equação começa a mudar quando a defesa precisa de ser permanente e não episódica.
A geografia também não favorece Washington. Ormuz continua a ser uma das principais fontes de influência iraniana porque a ameaça à passagem de uma das artérias energéticas do mundo produz efeitos que ultrapassam largamente o campo de batalha. Se o Irão não puder exportar petróleo ou utilizar livremente as suas rotas comerciais, pode........