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Jovens turcos às turras

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Há um mês e meio, José Luís Carneiro foi eleito líder do PS com 96,9% dos votos. Como é óbvio, a sua liderança já está fragilizada. Duarte Cordeiro, como muitos homens da meia-idade, decidiu dedicar-se ao hobby da fermentação. Só que em vez de couves, pepinos ou malaguetas o que o socialista quer conservar é a sua "liberdade para discordar". O problema é que, se as próximas legislativas forem só em 2029, a liberdade para discordar pode ganhar bolor. Este posicionamento teve apenas um efeito para Duarte Cordeiro: conseguiu ser criticado mais severamente por socialistas do que José Luís Carneiro. Às tantas, está a fazer-lhe um favor. As últimas eleições provaram que os portugueses têm muita compaixão por secretários-gerais do PS que a elite socialista despreza.

Pedro Nuno Santos era um socialista de bases, agora é um socialista de "baza!", porque até no seu núcleo apelam a que se saia da frente dos holofotes. Percebe-se porque é que o ex-secretário-geral do PS não gosta dos tacticistas. Quem quer voltar em grande menos de um ano depois de uma derrota embaraçosa - a seguir à qual se demitiu garantindo que não se recandidataria - é porque não tem qualquer estratégia e faz tudo à balda. Um socialista que sempre quis passar a ideia de que corria numa pista própria não gosta dos socialistas que querem passar a ideia de que correm numa pista própria. Pedro Nuno Santos não tem táctica, mas também não tem tacto.

Pedro Delgado Alves, verificando que era um dos poucos jovens turcos que não estava na homepage dos jornais, decidiu virar as costas a Aguiar Branco, no fim do discurso da cerimónia solene do 25 de abril. O PS aparece à frente em duas sondagens e os manos otomanos entram numa guerra fraticida. Eram jovens turcos, agora são homens de meia-idade balcanizados.


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