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Ninguém é só testemunha

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28.05.2026

O gesto deste caso vale a história inteira. Não pelos suspeitos. Não pela investigação. Pelo gesto de um cidadão comum que, naquela tarde de terça-feira, decidiu olhar.

Avistou as crianças. Parou. Aproximou-se. Não fez só uma chamada. Ficou. Manteve-os em segurança até à chegada da GNR.

A questão não é o que falhou. Falhou, e haverá tempo de apurar. A questão é outra: em quantas estradas, ruas, jardins, prédios deste país, há alguém em apuros, e quantos passamos sem ver?

Um transeunte em Modena

Dias antes, em Itália, noutro registo. No centro de Modena, um homem atropelou várias pessoas. Oito feridos, quatro graves. Quando o condutor desceu da viatura armado de faca, Luca Signorelli, transeunte, não fugiu. Avançou. Esquivou-se à primeira facada. A segunda atingiu-o na cabeça. Mesmo assim, imobilizou-o, com a ajuda de outros cidadãos.

Aos jornalistas, no hospital, Signorelli dispensou........

© Expresso