Ninguém é só testemunha
O gesto deste caso vale a história inteira. Não pelos suspeitos. Não pela investigação. Pelo gesto de um cidadão comum que, naquela tarde de terça-feira, decidiu olhar.
Avistou as crianças. Parou. Aproximou-se. Não fez só uma chamada. Ficou. Manteve-os em segurança até à chegada da GNR.
A questão não é o que falhou. Falhou, e haverá tempo de apurar. A questão é outra: em quantas estradas, ruas, jardins, prédios deste país, há alguém em apuros, e quantos passamos sem ver?
Um transeunte em Modena
Dias antes, em Itália, noutro registo. No centro de Modena, um homem atropelou várias pessoas. Oito feridos, quatro graves. Quando o condutor desceu da viatura armado de faca, Luca Signorelli, transeunte, não fugiu. Avançou. Esquivou-se à primeira facada. A segunda atingiu-o na cabeça. Mesmo assim, imobilizou-o, com a ajuda de outros cidadãos.
Aos jornalistas, no hospital, Signorelli dispensou........
