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A paranoia das fusões no ministério: a alquimia de somar dois desastres

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01.10.2026

Há no ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) uma bizarra crença fetichista de que a fusão burocrática é a resposta milagrosa para todos os males estruturais da ciência e do ensino do nosso país. Funciona como o ben-u-ron dos gabinetes governamentais. Se a coisa está péssima, junta-se-lhe outra coisa qualquer que também esteja a colapsar, cria-se uma sigla nova com um logótipo moderno e reza-se para que o Diário da República faça a magia que o orçamento e a competência não conseguiram.

O primeiro grande laboratório desta esquizofrenia administrativa deu pelo nome de AI2 (Agência para a Investigação e Inovação).

Em dezembro de 2025, o Governo achou que a melhor forma de dinamizar a ciência nacional era pegar na Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), que cronicamente mal tinha pernas para processar bolsas a tempo e horas, e fundi-la com a Agência Nacional de Inovação (ANI), num choque frontal entre investigação fundamental e mercantilismo de vão de escada. O resultado não foi o nascimento de um unicórnio académico capaz de cruzar física quântica com lucros imediatos. Foi um Frankenstein institucional que estilhaçou a paz dos laboratórios.

Hoje, graças à gloriosa AI2, exige-se a um investigador que estuda os padrões migratórios do lince-ibérico que apresente um plano de negócios robusto e uma demonstração de retorno comercial a três anos para garantir financiamento. O desastre desta fusão não foi um acidente de percurso. É o corolário lógico de quem acha que juntar a fome à vontade de comer produz, por decreto, um banquete farto. Para gáudio das grandes consultoras, que faturavam milhões a traduzir aborrecidos relatórios de biologia molecular para a vibrante novilíngua do empreendedorismo, espera-se que o próximo passo seja extinguir as defesas de tese. No novo modelo abençoado pela AI2, o........

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