O tricô e a bullshitificação do trabalho

É uma das memórias-mãe, um ramo forte e horizontal que sustenta dezenas de pequenos ramos, folhas e flores: estou a fazer um tapete de Arraiolos com a minha avó, que depois transformei numa almofada com o símbolo do Benfica. Arraiolos era o zénite da minha perícia têxtil, mas também fazia ponto-cruz, esmirna e tecia naqueles teares de cartão das aulas de Trabalhos Manuais. Ainda uso estojos de lã que fiz no 5º ano. Tecía­mos à lareira ou na outra lareira, a televisão, a ver coisas como “O Preço Certo”, que terá começado precisamente no meu 5º ano. Tenho a certeza de que não estou sozinho nesta devoção pelas memórias do tricô e, não por acaso, muitas miúdas fazem tricô hoje em dia, é uma herança que continuam.

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