O fim da NATO. Ou talvez não |
A NATO chega a Ancara como aqueles casais que ainda vivem na mesma casa mas já dormem em quartos separados. Estão juntos por uma questão de aparência e necessidade. Neste estado da relação, podem acontecer três coisas: redescobrirem o amor, separarem-se amigavelmente ou um deles deixar entrar outro na relação. Ou claro, continuarem assim, numa situação amarga e desconfiada.
Há três temas e um momento que definem a relação actual entre os aliados europeus da NATO (e o Canadá) e os Estados Unidos: a Ucrânia, a Gronelândia e o apoio político aos partidos de direita radical; e a primeira reunião de Trump com Zelensky.
Para as lideranças europeias, a Guerra na Ucrânia é uma ameaça real à segurança na Europa. Não por causa da Ucrânia, mas pelo que a decisão de Putin implica.
No passado, os europeus já tinham deixado Moscovo fazer ocupações e incursões militares. Mas o que aconteceu em Fevereiro de 2022 foi diferente. A Rússia decidiu rever pela força a ordem política e de segurança no Continente e impedir um país de escolher a democracia e a Europa. Putin entendeu que era possível recuperar pela força um território para o domínio russo. Os líderes europeus perceberam bem o significado da decisão e as consequências. Se não fosse travado, nada impediria Putin de devolver a........© Expresso