Ecrãs novos, processos velhos |
Portugal precisa da digitalização. Precisa dela para ser mais eficiente, para libertar recursos, para prestar melhores serviços às pessoas e às empresas. Sobre isto há pouco a discutir. A discussão que temos evitado é outra: como digitalizamos. Transpor para ecrãs e formulários eletrónicos, tal e qual, aquilo que fazíamos em papel não é digitalizar: é mudar o suporte e deixar tudo o resto na mesma.
Quem digitaliza um mau processo, fica apenas com um mau processo digital. Mais rápido a produzir os mesmos erros, mais eficaz a multiplicar as mesmas ineficiências. A verdadeira transformação digital exige algo mais difícil e mais corajoso: repensar os processos e pôr em causa a forma como fazemos as coisas, perguntando se determinado passo, determinada exigência, determinado carimbo, ainda faz sentido, ou se alguma vez fez. A tecnologia é a parte fácil. Difícil é a mudança de mentalidade que deve vir antes dela.
Escolher o que digitalizar (e o que não digitalizar)
Há uma segunda escolha, tão importante como a primeira: decidir o que deve realmente ser digital e o que importa manter na esfera humana. Nem tudo o que pode ser digitalizado deve sê-lo. Há momentos, sobretudo na relação do Estado com os........