Quando o Pacífico chega a Portugal: o “El Niño” também entra nas nossas empresas, infraestruturas e florestas |
O risco climático deixou de ser apenas um tema científico ou ambiental. Hoje, é uma questão central de gestão, resiliência operacional, proteção de ativos e adaptação económica e social. Em Portugal, esta realidade torna-se cada vez mais evidente na forma como fenómenos extremos afetam pessoas, empresas, infraestruturas, cadeias de abastecimento e serviços essenciais. Basta recordar os eventos catastróficos que vivemos em janeiro e fevereiro, cujos impactos ainda se refletem no quotidiano de muitos portugueses e permanecem vivos na memória coletiva.
Neste contexto, o fenómeno El Niño merece atenção. Não porque explique, por si só, todos os desafios climáticos que o país enfrenta, mas porque constitui um dos principais mecanismos de variabilidade climática global e pode amplificar riscos já existentes num território particularmente vulnerável a secas, ondas de calor, incêndios rurais, eventos de precipitação intensa e perturbações em infraestruturas críticas.
Embora se forme no Pacífico equatorial, o El Niño influencia padrões meteorológicos à escala global. Na Europa, e em particular em Portugal, essa influência é menos direta do que noutras regiões, mas organismos internacionais como a Organização Meteorológica Mundial, a National Oceanic and Atmospheric Administration Home, o Copernicus (Programa de Observação da Terra da União Europeia) e o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo têm demonstrado que estes fenómenos alteram probabilidades climáticas, deslocam padrões de precipitação e temperatura e interagem com outras variáveis num contexto já marcado pelo aquecimento global.
O ponto mais relevante para Portugal é precisamente este: o país enfrenta uma crescente volatilidade climática, em que diferentes ameaças se acumulam, se sucedem ou se reforçam mutuamente. Este risco composto constitui hoje um dos........