Trás-os-Montes terá que ser o próximo estreito de Ormuz?
Enquanto na região se produz mais de metade da energia de Portugal, os cofres locais permanecem vazios. Em termos fiscais, nada é vertido neste território. Vão aparecendo aqui e acolá umas obras de caridade e umas esmolas para as nossas instituições, as chamadas contrapartidas e responsabilidade social, que ficam bem em alguns discursos e parangonas. Velhos hábitos que queremos esquecer e que teimam em assolar os nossos territórios.
O Estado, apesar dos alertas, tarda em cobrar os impostos devidos e as rendas consagradas na lei, preferindo a proteção dos grandes poderes energéticos à justiça fiscal e à coesão territorial.
Este paradoxo transmontano, que parece clamar por um bloqueio igual ao do estreito de Ormuz, representa bem uma parábola em que podemos dizer com ironia - estamos pobres e somos ricos. E se fosse........
