O PS entre a "macronização" e a irrelevância

Depois de mais de 8 anos de governação, o partido socialista perdeu duas eleições legislativas no espaço de um ano, às quais se seguiram eleições autárquicas que o colocaram como a segunda força política mais votada. De não menos importância, no cenário de uma dispersão de votos à direita, a extrema-direita reforçou-se e representa hoje mais mandatos, ainda que com menos votos expressos.

Um eleitor ou militante minimamente atento esperaria que este ciclo desencadeasse no PS três movimentos: uma reflexão crítica sobre o período governativo, uma discussão aprofundada sobre o seu posicionamento estratégico e uma revisão de um modelo partidário esgotado. Infelizmente, tais preocupações não parecem influenciar minimamente os destinos do partido, que percorre um caminho imutável e alheio à realidade em seu redor, incapaz de se ver ao espelho. É o caso de dizer, como no conto de Hans Christian Andersen, que o rei vai nu.

Tenho respeito por José Luís Carneiro e pelas suas qualidades. Acredito no seu compromisso com uma agenda progressista e de desenvolvimento do país. Contudo, isso não basta para liderar o PS neste momento e lamento que, pela segunda vez em pouco tempo, se apresente a eleições sem adversários.

O PS precisa de uma liderança forte, afirmada na discussão de ideias e não de um debate condicionado. Este era o momento para construir um espaço de dissenso,........

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