Não há um bom Governo sem uma boa oposição. Ou melhor, uma boa oposição ajuda a tornar melhor qualquer Governo. E ninguém faz um bom governo sem ter sido uma boa oposição. O PSD vai fazer uma excelente oposição e apresentar-se-á como a alternativa ao socialismo.

O Congresso deste fim semana marca um momento fundamental para o Partido Social Democrata. Após alguns anos em que o seu espaço à direita foi claramente “abocanhado” por eleitores que passaram a votar na IL, no Chega ou mesmo no PS, o lugar do partido de Sá Carneiro foi colocado em causa e muitos vaticinaram um destino igual ao que aconteceu ao CDS. Mas os sinais deste Congresso são precisamente no sentido oposto, de esperança e unidade.

Para unir é preciso que o líder dê o exemplo e depois é preciso que os antigos adversários ou potenciais sucessores respondam ao repto. Ao fazer uma Comissão Política Nacional com vários ex candidatos à liderança do PSD como Paulo Rangel ou Miguel Pinto Luz, todos cumpriram a sua responsabilidade, lealdade com o partido e compromisso com Portugal. Além disso o novo líder do PSD renovou uma Comissão Política com jovens quadros de elevado potencial que assumiram funções de tremenda responsabilidade, com provas dadas no sector privado e também no sector público. Outro sinal de elevado compromisso é ter Carlos Moedas como primeiro eleito no Conselho Nacional e uma Mesa do Congresso “presidida” pelos dois Presidentes dos Governos Regionais, Miguel Albuquerque como Presidente e José Manuel Bolieiro como Vice. Mas um Partido que se quer unido tem de ter sempre presente e com orgulho o seu passado e não é por acaso que uma das maiores ovações do Congresso foi para o nome de Pedro Passos Coelho sempre que foi mencionado. Maria Luis Albuquerque é nº 2 ao Conselho Nacional e Matos Correia (ex Deputado e ex Chefe de Gabinete de Durão Barroso) regressa para presidir ao “Tribunal” do PSD. Outra simbólica ligação ao passado que nos orgulha é a escolha de Nunes Liberato, ex Chefe da Casa Civil de Cavaco Silva para líder da Comissão de Fiscalização. Marques Mendes estava na primeira fila do Congresso. São sinais que não devem ser ignorados, o PSD está mesmo unido e como costuma dizer Carlos Moedas “estamos prontos”.

Está de volta o PSD interclassista, que é o PSD de todos, em que todos contam e onde o passado é assumido com orgulho. Em que a diferença é vista com inteligência e oportunidade de construir algo ainda melhor.

Muitos dirão que o PSD precisa de caras de futuro, mas isso só pode acontecer se tiver o seu passado bem resolvido. E é preciso assumir com orgulho o passado reformista do PSD no qual os portugueses confiaram e nos deram o seu voto. Ignorar esses feitos que foram apreciados pelos portugueses é desrespeitar as escolhas dos cidadãos.

O PSD não pode nem deve ter medo das narrativas que alguns lhe tentaram colar com as dificuldades da troika, do passado de Passos Coelho ou Cavaco Silva. São provavelmente os Ex Primeiros-Ministros mais importantes do país desde o 25 de Abril. É por isso que a esquerda tanto os detesta, porque o povo não esquece. O povo perde sim o respeito por nós sempre que nós próprios ignoramos ou tentamos ignorar a nossa própria história.

O PSD volta a ser um partido feliz, que não tem medo do PS nem do Governo. Que não tem medo de si mesmo. Um PSD que estuda e que quer trabalhar. Que faz oposição assertiva porque é isso que o país espera. Que negoceia com o Governo sempre que estiver em causa o interesse nacional. Que fará compromissos que tragam benefícios aos portugueses e onde o PSD não sirva apenas de escudo para as decisões polémicas do governo. Mas será sobretudo um PSD que apresentará alternativas, sem preconceitos ideológicos, mas com opções claras para resolver os problemas dos portugueses.

QOSHE - O PSD está de volta - Duarte Marques
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O PSD está de volta

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05.07.2022

Não há um bom Governo sem uma boa oposição. Ou melhor, uma boa oposição ajuda a tornar melhor qualquer Governo. E ninguém faz um bom governo sem ter sido uma boa oposição. O PSD vai fazer uma excelente oposição e apresentar-se-á como a alternativa ao socialismo.

O Congresso deste fim semana marca um momento fundamental para o Partido Social Democrata. Após alguns anos em que o seu espaço à direita foi claramente “abocanhado” por eleitores que passaram a votar na IL, no Chega ou mesmo no PS, o lugar do partido de Sá Carneiro foi colocado em causa e muitos vaticinaram um destino igual ao que aconteceu ao CDS. Mas os sinais deste Congresso são precisamente no sentido oposto, de esperança e unidade.

Para unir é preciso que o líder dê o exemplo e depois é preciso que os antigos adversários ou potenciais sucessores respondam ao repto. Ao fazer uma Comissão Política Nacional com vários ex candidatos à liderança do PSD como Paulo........

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