No “Monopólio”, um dos jogadores recebe o dobro do dinheiro, joga com dois dados contra um e, como anda mais depressa, recebe ainda mais por cada volta. A experiência foi feita com mais de cem duplas de jogadores pelo investigador Paul Piff, da Universidade de Berkeley. Os beneficiados ganharam, claro. Mas o que interessa são as suas reações. À medida que se cavava o fosso, a linguagem corporal ia-se tornando mais agressiva, assumindo uma postura de domínio. Alguns até escarneceram do parceiro “pobre”. No fim, muitos dissertaram sobre os méritos da sua estratégia “vitoriosa” sem reconhecerem o benefício. Na vida real, o tabuleiro inclina-se de outra forma. As vantagens económicas e financeiras de partida; acesso a bens culturais desde muito cedo; uma educação melhor; uma rede de contactos entre os privilegiados. A esmagadora maioria dos “vencedores” não são Cristiano Ronaldo. São como os jogadores do “Monopólio” de Paul Piff. E, apesar das suas vantagens serem igualmente evidentes, também justificam o seu sucesso com o dispositivo hoje omnipresente: o mérito. A ideologia meritocrática acredita que o sucesso resulta, em quase tudo, de ações individuais, mesmo em situações grotescamente desniveladas.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.

Já é assinante? Faça login Assine e continue a ler

Comprou o Expresso?

Insira o código presente na Revista E para continuar a ler

QOSHE - Tabuleiro inclinado - Daniel Oliveira
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close
Aa Aa Aa
- A +

Tabuleiro inclinado

7 10 5
27.11.2022

No “Monopólio”, um dos jogadores recebe o dobro do dinheiro, joga com dois dados contra um e, como anda mais depressa, recebe ainda mais por cada volta. A experiência foi feita com mais de cem duplas de jogadores pelo investigador Paul Piff, da Universidade de Berkeley. Os beneficiados ganharam, claro. Mas o que interessa são as suas reações. À medida que se cavava o........

© Expresso


Get it on Google Play