Paulo Pedroso assinalou, na RTP, que os patrões negociaram bem o acordo de rendimentos para a legislatura. De facto, em troca de uma chuva de borlas fiscais, ao ponto de as deduções de prejuízos deixarem de ter prazo-limite (o Novo Banco vai poupar muito em impostos nos próximos anos), tiveram de fazer a vaga promessa de um aumento dos salários de 5,1% para o ano que vem, incluindo promoções. Os anos seguintes, para chegar a um peso dos salários de 48% do PIB em 2026, com base em previsões marteladas, não merecem, perante a incerteza, grande atenção. Mesmo que estes 5,1% chegassem para o objetivo, são indicativos, usando a possibilidade de reduzir o IRC, que só metade das empresas paga, como cenoura. Valem nada em comparação com tudo o que de concreto foi conseguido pelas associações patronais. A minha discordância com Paulo Pedroso é esta: os patrões não negociaram bem porque não tiveram de negociar. A CGTP não assina nenhum acordo e a UGT assina-os todos. A CGTP acha que a luta não serve para forçar a negociação e cada manifestação é uma prova de vida. A UGT acha que a negociação não exige luta e cada acordo é uma prova de vida. O Governo negociou com os patrões, e um acordo sobre rendimentos assinado à pressa tem mais de apoio às empresas do que de reforço de rendimentos.

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QOSHE - Porque ando a pensar em Passos Coelho? - Daniel Oliveira
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Porque ando a pensar em Passos Coelho?

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16.10.2022

Paulo Pedroso assinalou, na RTP, que os patrões negociaram bem o acordo de rendimentos para a legislatura. De facto, em troca de uma chuva de borlas fiscais, ao ponto de as deduções de prejuízos deixarem de ter prazo-limite (o Novo Banco vai poupar muito em impostos nos próximos anos), tiveram de fazer a vaga promessa de um aumento dos salários de 5,1% para o ano que vem, incluindo........

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