Da autocracia na América

Em Washington, são cada vez mais os edifícios públicos que, ao estilo de Pyongyang, ostentam enormes pendões com a cara firme do líder, dando-lhe o destaque habitualmente reservado a Presidentes mortos. Trump transformou o Kennedy Center em Trump-Kennedy Center, chamou a uma plataforma para desconto em medicamentos TrumpRx e criou, para um regime tipo “vistos gold”, o Trump Gold Card. Em privado, pergunta como poderá ter o seu rosto no monte Rushmore ou o seu aniversário como feriado federal — por agora, teve direito a um milionário desfile militar. Sonha com um arco da independência de 75 metros de altura que ofusque o memorial a Lincoln. Procura edifícios, parques, aeroportos, bases militares, ruas ou praças onde possa inscrever a palavra “Trump”. Porque inveja os líderes que, em autocracias, sentem a veneração forçada do seu povo. Por agora, contenta-se com a competição de lealdade rasteira entre os seus lacaios. “Isto vai ser difícil de bater”, incentiva, depois de pegajosos elogios, em diretos televisivos, babando-se com a escalada performativa da arte da bajulação.

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