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O Médio Oriente e a ordem internacional no espelho do Irão

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05.03.2026

Olhar para o Irão através do reflexo da revolução de 1979 não é suficiente para explicar o presente. De facto, a Revolução Islâmica continua a ser um marco fundamental na história do país e do Médio Oriente, mas o Irão não é o mesmo de há 47 anos. A sociedade mudou, as gerações mudaram também e o contexto regional e internacional transformou-se profundamente. Para compreender o presente, é mais útil observar para onde o sistema internacional está a mover-se. E para isso há um espelho cristalino que oferece um vislumbro do futuro: a Estratégia de Segurança dos Estados Unidos.

Neste documento, os norte-americanos organizam as suas prioridades com uma clareza pragmática, em que o Médio Oriente deve ser estabilizado, assumindo, mais responsabilidades regionais. Contudo, nesta estabilização há um princípio simples, nomeadamente, a proteção de Israel.

Ao seguirmos esta estratégia, torna-se claro que o principal ator incerto a ser contido é o Irão. Esta centralidade não surgiu por acaso. Em 2003, a invasão do Iraque removeu o principal contrapeso regional ao poder iraniano e, ao eliminar Bagdade como potência equilibradora, Washington deixou Teerão como a única força regional com verdadeira capacidade autónoma de projeção. Como vimos, a influência iraniana expandiu-se do Golfo ao Levante e passou a ser percebida como um elemento........

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