Se for gay ou trans, manda-se arranjar |
Em 2022, o país ficou espantado quando o Bloco de Esquerda levou ao parlamento um projecto de lei que visava criminalizar as práticas de conversão sexual. Acho que nem é preciso dizer que 2022 foi há dois dias. O espanto nem se deveu à criminalização: até então, pouca gente sabia que essas práticas medievais existiam.
Aliado a isto, Miguel Salazar, filho de Maria Helena Costa, ideóloga do Chega e deputada municipal deste partido na assembleia municipal da Póvoa de Varzim, veio a público denunciar pai e mãe – aos 16 anos, os pais terão descoberto a homossexualidade do filho e durante seis meses terão tentado que este curasse o que consideravam uma doença, um pecado e uma infâmia. Em vez de ben-u-ron e canjinha, o remédio terá sido outro: insultos, chapadas, ameaças de inferno e de um futuro na prostituição. Admirará pouca gente se se disser que estas práticas de charlatães não chegaram ao porto desejado. O rapaz continuou gay e há dias disse numa entrevista uma frase arrepiante: “Eu amava a minha mãe.” Decerto as chapadas chocam, mas um filho que põe o amor pela mãe no pretérito imperfeito só mostra que estas práticas, além de infundadas e cruéis, são um atentado à família e ao que parece mais natural na nossa espécie – uma ligação de aço, intemporal, incondicional, inexpugnável, entre as mães e os seus bebés.
Nisto, em 2026, surge uma petição que quer revogar a tal lei (14/2024) que criminaliza as práticas de conversão sexual – ou seja, práticas que querem reverter........