Passos Coelho de fato de treino |
Tanta direita ululante com um potencial regresso de Passos Coelho e é isto que o homem traz. O desnorte político e ideológico é tal que até se compreende que se estivesse sedento de clareza. Mas tinha mesmo de ser esta?
Tenho criticado Montenegro, em parte pela forma como me parece estar a gerir, de forma cobarde, a equidistância entre Chega e PS. O puzzle parlamentar pode ser-lhe desafiante, mas há mínimos na vida que exigem que se enxotem as maroscas. Neste cenário, Passos veio a público tecer considerações sobre o rumo do governo do seu partido, incluindo que Montenegro carece de um plano para reformar o Estado ou de uma ideia para o futuro do país, e que simplesmente gere o dia-a-dia. E tem razão: Montenegro é volátil, e está muito longe de ser um filósofo, um ideólogo. Desde a eleição, não tem feito outra coisa senão gerir a distância relativa aos partidos da oposição com cautela, ainda sem ter percebido o que é mais conveniente a longo prazo, estando mais preocupado com a sua sustentabilidade e com evitar qualquer atrito durante o seu mandato do que com a sobrevivência do partido. Portanto, a gestão do dia-a-dia acontece nestas vistas curtas, mas em todas as frentes: tanto na governação do país quanto no equilíbrio interno do PSD.
Ora, se esta equidistância é suja e imprecisa, não se pode dizer que a precisão de Passos Coelho traga algum consolo. Ei-lo, para espanto apenas........