Janeiro não é recomeço. É retomada
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Existe uma ideia curiosa, e bastante confortável, de que o ano começa limpo. Como se o réveillon tivesse poderes terapêuticos. Como se a virada do calendário apagasse excessos, interrompesse processos e devolvesse ao corpo um estado neutro, pronto para novas decisões. Não devolve. O corpo não vira a página junto com o calendário.
Janeiro, na prática, não é um ponto de partida. É um ponto de continuação. E talvez seja justamente aí que mora o desconforto desse mês.
Voltamos do descanso exigindo demais de um corpo que ainda carrega o acúmulo do ano anterior. Retomamos treinos, trabalho, compromissos e metas como se houvesse um botão de “reset” fisiológico. Não há. O organismo lembra. Lembra do sedentarismo, do sono irregular, da alimentação errática e do estresse prolongado. Lembra também do que foi bem feito, e isso faz toda a diferença.
No consultório, janeiro nunca é silencioso. Pelo contrário. É o mês em que reaparecem dores antigas, lesões mal resolvidas, inflamações que estavam “quietas” e desconfortos que foram ignorados ao longo do ano. Não porque o corpo esteja pior, mas porque voltou a ser exigido. A retomada revela o que foi acumulado.
Há algo de simbólico nisso. A........
