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Médico não faz milagre... nem IA

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07.03.2026

O CFM publicou em fevereiro a Resolução nº 2.454/2026, que regulamenta o uso da Inteligência Artificial no âmbito da medicina. Muito além de uma mera norma corporativa, trata-se de um verdadeiro marco setorial: reconhece que a IA pode ampliar diagnósticos, otimizar fluxos e apoiar decisões clínicas — mas deixa claro que tecnologia não substitui o médico. E essa frase é o centro de tudo.

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A resolução estabelece o óbvio — que, ainda assim, precisa ser dito: a IA deve ser utilizada exclusivamente como ferramenta de apoio, e o julgamento clínico precisa permanecer 100% humano. Até porque a responsabilidade continua sendo 100% humana. Em outras palavras: o algoritmo pode ajudar, direcionar e sugerir. Mas quem decide — e responde pelas consequências — continua sendo o médico. E ninguém mais.

A resolução não chove no molhado. Ela busca evitar que os médicos façam justamente o que profissionais de outras áreas vêm fazendo: terceirizar o senso crítico e assumir o lugar de copiloto — função que deveria caber à própria IA. O problema é que, no caso da medicina, essa inversão não compromete apenas a originalidade do trabalho. Ela pode comprometer a saúde do paciente.

Há ainda um outro risco silencioso: o empobrecimento intelectual do próprio profissional. Pesquisa, análise crítica e raciocínio clínico são partes essenciais do aprendizado médico. Quando essas etapas são terceirizadas para algoritmos, o resultado tende a ser uma perigosa regressão cognitiva.

Vivemos um momento em que ferramentas generativas produzem laudos, sugerem condutas e oferecem probabilidades diagnósticas com........

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