As Tordesilhas de Donald Trump

Em 1494, recorrendo ao “direito internacional” daquela época – personificado no Papa da Igreja de Roma –, Portugal e Espanha estabeleceram a divisão do Novo Mundo, então largamente desconhecido, entre o oeste e o leste de um meridiano imaginário. Na geopolítica dos reis ibéricos, a esfera terrestre, dividida em duas metades, pertenceria às respectivas coroas. A bula papal, divisora do Novo Mundo, foi assinada na cidade espanhola de Tordesilhas, daí o nome de batismo do Tratado, dando origem ao Brasil que hoje somos e a nossos vizinhos na então América Espanhola até as Montanhas Rochosas, hoje parte dos EUA.

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Meio milênio após aquela iniciativa de conquista, o globo terrestre – e tudo que há nele – ainda é disputado de maneira semelhante, embora com novas armas e narrativas. Um desses protagonistas de conquista é a América de Donald Trump, e outra potência é a China de Xi-Jinping, embora haja outros atores na disputa, como a velha Europa, o Islã, o “Império russo” e até a Índia (ver Quadro). Num passado não distante, também estaria o Japão. Portanto, para entender melhor as ações do atual presidente norte-americano, antes de se recorrer aos impropérios ou aos elogios baratos que, em geral, acompanham sua figura de ator canastrão, precisamos enquadrar as ações de Trump num contexto de projeção histórica, daquilo que ainda vai acontecer em décadas futuras.

Trump reage a um mundo que já não é mais o que resultou da Segunda Guerra Mundial, onde o poder militar dos EUA ficou evidenciado no planeta inteiro (a Pax Americana), cujo........

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