Fabricando eleições |
A propaganda eleitoral começou em 16 de agosto sob regras inéditas. O Tribunal Superior Eleitoral passou a exigir que todo conteúdo sintético, isto é, produzido ou significativamente alterado por inteligência artificial ou tecnologia equivalente, traga aviso destacado e acessível ao eleitor.
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A norma também proíbe o uso desses materiais para desinformação, impede que sistemas de recomendação sugiram candidaturas e veda a divulgação de novos conteúdos sintéticos com imagem ou voz de candidatos nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores à votação.
A preocupação com a influência da tecnologia sobre o voto não nasceu com a inteligência artificial generativa. O marco que organizou esse debate em escala global foi o escândalo da Cambridge Analytica, revelado em 2018.
A consultoria britânica obteve dados de 87 milhões de usuários do Facebook, entre eles 443 mil brasileiros, para construir perfis psicológicos detalhados de eleitores e a partir destes inferir traços de personalidade capazes de orientar estratégias de persuasão política.
O método tinha respaldo acadêmico. Em artigo publicado em 2015, pesquisadores demonstraram que um modelo estatístico alimentado por cerca de 300 curtidas era capaz de prever determinados traços de personalidade com mais precisão do que o próprio cônjuge. O caso expôs o........