O poeta, o carteiro, o rombo dos Correios e o modelo logístico alemão |
O Carteiro e o Poeta (Il Postino) é um filme de 1995, belíssimo, que se baseia em fatos verídicos: a amizade, numa pequena ilha da Itália, em 1953, entre um carteiro que mal sabe ler e o poeta Pablo Neruda, que o governo italiano aceitou como exilado do Chile desde que ficasse quieto em lugar distante e não perturbasse. O diretor Massimo Troisi brilha neste seu último filme: morreu do coração, aos 41 anos, em 1994, ano das gravações. A música é do maestro Luís Bacalov, que fez Os Saltimbancos. A fotografia e as locações são espetaculares.
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A amizade improvável entre Neruda e o carteiro iletrado é a poesia do filme. Para conquistar Beatrice, ele recita versos que o poeta escreveu para sua mulher. Num certo momento do filme, Neruda diz que ele roubou a poesia, ao que o carteiro responde: “Eu não roubei; a poesia é de quem precisa dela, e eu precisava”. O poeta aquiesce: “é uma forma interessante de apropriação de um bem”. Os carteiros estão entre os trabalhadores mais benquistos pela sociedade, como os bombeiros, mas hoje são uma espécie em extinção.
Não por acaso, entre 3 de fevereiro e 7 de abril deste ano, 3.181 funcionários aderiram ao programa de demissão voluntária dos Correios. A empresa estatal registrou o maior prejuízo de sua história: um rombo de R$ 8,5 bilhões, sendo R$ 6,4 bilhões só com despesas com precatórios, dívidas que precisam ser pagas por........