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As lições do piano de Thelonious Monk e as entrevistas dos candidatos

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31.08.2026

A frase “não existem notas erradas; algumas são apenas mais certas do que outras – tudo depende da que vem depois”, também atribuída ao trompetista Miles Davis, traduz com precisão a estética de Thelonious Monk, um dos grandes gênios do jazz e autor de Round Midnight, Straight, No Chaser, Epistrophy, Blue Monk e Misterioso, entre outros clássicos do gênero.

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Em termos musicais, significa que uma nota não pode ser julgada isoladamente. Uma dissonância aparentemente equivocada pode adquirir sentido conforme a frase prossegue. A nota seguinte pode resolvê-la, reafirmá-la ou transformar o choque inicial numa tensão deliberada. No jazz, sobretudo na improvisação, o valor de cada som depende de sua relação com o acorde, o ritmo, o silêncio e as notas que vêm antes e depois.

Monk tocava assim. À primeira audição, podia parecer irregular, áspero e até “errado”. Usava acordes dissonantes, intervalos inesperados, notas percussivas, acentos deslocados e pausas abruptas. Às vezes, levantava as mãos do teclado e deixava que o silêncio completasse a frase. Um dos fundadores do bebop, Monk nunca se acomodou às fórmulas do movimento. Enquanto outros pianistas exibiam velocidade e longas improvisações, ele preferia poucas notas, escolhidas com precisão.

Tocava o essencial e fazia do silêncio parte da música. Até os chapéus, os óculos escuros, as pausas........

© Estado de Minas