O que ninguém conta às mulheres gordas sobre o amor

Neste Dia dos Namorados, eu escrevo para você. Você, que passou a adolescência inteira esperando que alguma coisa acontecesse. Você, que decorou falas de comédias românticas, assistiu às protagonistas serem escolhidas, desejadas, disputadas e amadas, enquanto aprendia silenciosamente que aquele roteiro talvez não tivesse sido escrito para você.

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Você, que viu as amigas receberem bilhetes, flores, convites, declarações e apelidos carinhosos enquanto acumulava elogios sobre a sua inteligência, a sua maturidade, a sua generosidade e a sua capacidade de ouvir. Você que foi tantas coisas. A engraçada. A inteligente. A amiga para todas as horas. A que acolhe. A que escuta. A que entende. Tudo, menos a desejada.

Queria escrever para você porque suspeito que passamos a vida inteira ouvindo as pessoas falarem sobre a dor dos términos, dos divórcios e dos corações partidos, mas quase ninguém fala sobre a dor de sequer entrar na história. A dor de crescer sem ser escolhida.

Minha obsessão pelo corpo expandido para a página

Quando o corpo também lembra aquilo que a cidade tentou apagar

A dor de chegar aos 40 anos e perceber que continua tentando responder perguntas que deveriam ter ficado na adolescência. A dor de abrir um aplicativo de relacionamentos já esperando o silêncio. Isso quando o aplicativo permite a sua entrada. A dor de entrar num bar sem esperar um olhar. A dor de fingir que não se importa mais. A dor de realmente não saber mais se ainda se........

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