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BBB: a dor de Ana Paula Renault ao perder o pai e o luto de Tadeu Schmidt

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20.04.2026

Nem o melhor roteirista poderia nos entregar o que vimos ontem: a cena mais triste da história dos reality shows. Nenhum protocolo resistiu à combinação do luto de Ana Paula Renault, participante veterana da 26ª edição do Big Brother Brasil (BBB) ao do apresentador Tadeu Schmidt, que na quinta-feira (17/4) perdeu o irmão, o atleta de basquete, Oscar Schmidt. Juntos e separados por uma tela, ambos choraram e, de alguma forma que beira o impossível, se consolaram, provocando no espectador uma das cenas mais marcantes da história do programa ao longo desses 26 anos e, quiçá, da televisão brasileira.

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O Black Mirror da vida real está acontecendo. Qualquer cena do Show de Truman fica pequena diante do que presenciamos. E não, não venho aqui como comunicadora, falar dos limites da dor pessoal e da exposição na TV. Isso fica completamente de lado quando somos atravessados pelo luto, que, na psicanálise, é o que chamam de atravessamento do real. Nada é soberano a este corte que nos puxa e nos lembra: existe vida e morte - precisamos, mesmo à contragosto, lidar com elas.

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Pouco antes das 23h, depois de uma crise de ansiedade, de ter muito enjoo e passar mal, Ana Paula Renault foi chamada ao confessionário e informada da morte do pai, Gerardo Henrique Machado Renault, de 96 anos.

Nós, que aqui fora, sabíamos que ele estava internado desde o começo do mês, temíamos isso, torcíamos para que ela conseguisse sair e, num voo fretado, fosse a Belo Horizonte vê-lo, antes de cumprir a agenda montada pela Globo ao participante vencedor. O que não esperávamos era que isso fosse acontecer diante dos nossos olhos atentos - e sedentos por tretas típicas de reality show: comida, monstro, feijão, beijo, voto, paredão, limpeza, cama e, também, o prêmio de quase 6 milhões de reais. Ligamos a TV - ou ao menos eu - em busca de alienação máximo e recebo um sem número de motivos para estar aqui, numa segunda-feira cedo, escrevendo essa coluna, com uma lista de pautas para a terapia de mais tarde (espero que meu analista venha e não tenha emendado o feriado) e, um jeito muito específico de ter os machucados de todos os lutos anteriores com a casquinha sendo arrancada e doendo novamente.

É óbvio que chorei vendo a edição de ontem. E não só. Eu me tremi inteira. Exatamente como quando recebi a notícia que meu pai havia morrido. Exatamente como quando recebi a notícia que meu analista havia morrido. Exatamente como quando eu fico quando alguém que amo parte, assim, no meio de alguma coisa, desafiando o roteiro do universo, escancarando toda dor que possa existir, humanizando-nos, literalmente.

O luto de Ana Paula, ao vivo, mexe com coisas muito comoventes e dilacerantes. Jamais esqueceremos a cena mais triste de todas: quando Ana Paula se ajoelhou no gramado externo, após a saída do último participante antes do TOP 3, com os finalistas, e chorou a morte do pai, a qual havia sido informada minutos antes, no confessionário.

Eu, que passei o sábado e o domingo inteiros, praticamente, indo contra o posicionamento oficial da equipe de Ana Paula e fazendo mutirão #ForaMilena para tentar - naquela nossa inocência de controlar alguma coisa - garantir à Ana Paula e a nós, fãs, uma final mais tranquila - me arrependi no exato momento em que ela, ainda ajoelhada no gramado, grita: Tia Milena, meu pai morreu. Milena fica sem reação, mas, à sua maneira, tenta acolher e, poucos minutos antes, sem saber, entra no quarto e oferece chá, já que sabia que Ana Paula estava enjoada. Ela aceita e elas se abraçam. Dizem se amam.

Ana Paula, ao receber a notícia, saiu do confessionário para o quarto, pensando que poderia ser eliminada ainda naquele paredão. Conta apenas ao participantes Juliano Floss o motivo do choro, desabafa e desaba e pede: não conte a ninguém. Neste momento, ela se refere aos também emparedados Tia Milena e Boneco. E eles seguem. Ela vai para a sala, ouve o discurso do Tadeu - que respeita o fato dela não ter contado - e, em prantos, vai até a saída acompanhar Boneco, o quarto finalista da disputa.

Chamo aqui, atenção para a empatia de Ana Paula. Mesmo tendo perdido o pai. Mesmo sofrendo a maior dor que poderia sofrer na........

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