Arquivar é a nova forma de absolver o racista? |
Em 2019, minha então superiora hierárquica me enviou um e-mail com a seguinte frase: “para representar a SMSP é necessário um gerente branco como o Sebastião, e lugar de negra é limpando chão.” Não foi surpresa. O racismo já estava ali antes, nos gestos, no assédio cotidiano, na conivência com outras violências. O nome dela é Márcia Cristina Alves, diretora na Secretaria de Segurança da Prefeitura de Belo Horizonte. O que aconteceu com ela? Nada. O que aconteceu comigo? Fui exonerada.
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Fui à delegacia especializada em crimes de racismo, que, na ocasião, estava sediada na Avenida Barbacena, no Barro Preto e registrei o boletim de ocorrência. Levei a prova: o e-mail. Levei também os dados que comprovavam de qual endereço eletrônico e de qual computador a mensagem foi enviada. Márcia trabalhava sozinha em uma sala à qual apenas ela tinha acesso às chaves. O computador dela, como o de todos os servidores, tinha login e senha. O e-mail também era acessado exclusivamente mediante senha. Certo? Materialidade não faltava.
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Durante cinco anos, o processo ficou parado na Polícia Civil. Sabe o que o Ministério Público fez? Nada. Nesse período, Márcia me processou por eu ter divulgado o ocorrido nas redes sociais. O........