Investir ou apostar: a Geração Z está confundindo dinheiro com jogo?

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Se você tem a impressão de que a Geração Z quer ficar rica até sexta-feira, você está certo. Essa pressa tem menos a ver com preguiça e mais com uma sensação cada vez mais comum de que o caminho “certinho” ficou longo demais, caro demais e, em muitos casos, meio inútil.

Essa geração cresceu vendo crise, inflação, aluguel alto, dificuldade para comprar imóvel e um mercado de trabalho menos estável do que o dos pais. Nos Estados Unidos, a Bloomberg Línea resumiu esse clima com um termo forte: “niilismo financeiro”, aquela sensação de que, se o jogo parece injusto, talvez só reste tentar um lance arriscado para ver se alguma coisa acontece.

O que é niilismo financeiro?

Niilismo financeiro é, em bom português, perder a fé no caminho tradicional de construir patrimônio aos poucos. Em vez de acreditar que poupar, investir no longo prazo e esperar pacientemente vão resolver a vida, muita gente passa a pensar: “desse jeito eu não chego a lugar nenhum mesmo”.

Esse sentimento aparece quando o jovem olha para o próprio salário, para o preço de um imóvel, para o custo de viver sozinho e percebea dificuldade de manter estabilidade. No Brasil, um estudo da MindMiners mostrou que 52% dos jovens entre 18 e 28 anos ainda moram com os pais, 53% relatam níveis elevados de ansiedade e, entre os que trabalham, a renda média mensal não passa de R$2.400. Ao mesmo tempo, 52% dizem que a principal meta para os próximos dez anos é justamente alcançar estabilidade financeira.

Por que a Geração Z investe mais cedo?

Aqui tem uma parte boa da história, e ela merece ser dita. A Geração Z não está simplesmente “largando mão” do dinheiro. Pelo contrário, ela se preocupa cedo sobre dinheiro. Um estudo do BTG Pactual apontou que 84% dos jovens dizem pensar constantemente na vida financeira.

Além disso, o acesso à informação ficou muito mais fácil. Os jovens nascidos entre 1997 e 2010 têm mais acesso à tecnologia, procuram liberdade financeira desde cedo e consomem conteúdo financeiro em formatos curtos, simples e digitais. Não por acaso, 63% da Geração Z usa aplicativos para investir, contra 15% que investem presencialmente em agências bancárias. 

A Geração Z ainda investe na poupança?

Investe, mas muitas vezes por inércia. Para grande parte dessa geração, a conta poupança foi aberta ainda na........

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