Os Piratas do Caribe |
Há dias em que o noticiário deixa de ser noticiário e vira o cartaz do cine Brasil do Sr. Rogério de Ibiá: explosões bem enquadradas, heróis com a bandeira no ombro, vilões com a cara amassada pela legenda e a BB linda pra gente sonhar. A diferença, como sempre, é que no cinema o espectador compra pipoca; na vida real, compra silêncio e decepção.
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Dizem que o Caribe é um mar de cartão-postal: água com vocação para filtro azul, coqueiro que posa para selfie, vento para nunca suar. Mentira. O Caribe, quando a História resolve se revelar, é um espelho: mostra o que a gente finge não ver. E, ultimamente, o espelho tem refletido um tipo antigo — sujeito que se apresenta como “homem de negócios”, paladino da justiça e da paz, mas entra na sala com cheiro de pólvora e promissória falsa de cobrança.
Um presidente ao Norte (sempre ao Norte) resolveu reabrir a gaveta das doutrinas. Você abre a gaveta (no segundo dia de 2026) e lá estão: mapas amarelados, promessas de “ordem”, um carimbo com a palavra “território” e uma pena de pavão chamada “diplomacia”. Na hora do aperto, a pena cai, e o que fica é o bico da águia e sua bicada seca. Rapinagem de terno e gravata sob medida.
Caracas virou vitrine. Vitrine é isso: você não entra, você apenas olha. E o mundo, em choque — e um tanto satisfeito com o próprio choque — olhou. Olhou como se olha uma joia: com desejo e com medo de que o alarme dispare. O gesto foi apresentado como demonstração de força, como recado, como pedagogia. A pedagogia, nesse caso, tem método simples: humilhar para ensinar. Os alunos aprendem rápido, porque o quadro-negro é uma fotografia correndo o planeta. Ao velho........