menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Opa! Será que não?!

25 0
08.09.2026

Hoje acordei com um sentimento estranho, desses que a gente não sabe se vieram do sonho ou do fígado, acariciado pelo vinho de ontem. Depois entendi: é aniversário do Marneu, meu irmão, que já não está entre nós. Opa! Será que não?!

Fique por dentro das notícias que importam para você!

A dúvida não é minha, é de um americano. Há uns dias assisti a um vídeo no YouTube do físico Richard Feynman, e desde então ando com uma pulga atrás da orelha — pulga, aliás, feita dos mesmos átomos que eu, o que foi um pulo para essa crônica, com a devida vênia pelo trocadilho. Feynman ganhou o Nobel de 1965 por reformular a mecânica quântica, tocava bongô em um bar de Los Angeles e desenhava moças nuas com a mesma seriedade com que calculava elétrons. Era, portanto, um homem confiável.

Pois ele dizia uma coisa simples e assustadora: os átomos do meu cérebro não são os mesmos do ano passado. Entram, dançam uma dança e saem. O que fica é a coreografia — a memória, o jeito de rir, o vício de pescar. Nós não somos matéria, somos um padrão que a matéria atravessa, como o redemoinho no rio, que está sempre ali e nunca é a mesma água. Feynman dizia isso com um sorriso de quem conta piada, e a plateia ria sem saber direito do que estava rindo. Eu também ri. Depois fui olhar minhas mãos, essas mãos que já foram outras mãos, e caí na real.

Ora, se é assim, o Marneu não sumiu. Deixou de ocupar aquela forma física específica, é verdade, aquela que discutia economia com........

© Estado de Minas