O fungo e o gato |
Meu amigo Flavio Telles, infecto de Curitiba (PR), que entende de fungos como poucos neste planeta, me desafiou a fazer uma crônica sobre um grave problema de saúde pública, que passa batido pela percepção da população. Super especialista pedindo crônica a infectologista é como maestro pedindo modinha a violeiro — a gente aceita por amizade e depois passa a semana com medo de desafinar. Vou contando devagar, como quem conta um caso na varanda, que é como as coisas graves devem ser contadas em Minas.
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Brasília: uma miragem
Crônica do vírus requentado
Há uma doença que durante um século teve nome de poesia: a doença do jardineiro de rosas. Foi descrita em 1898 por um estudante de medicina chamado Benjamin Schenck, que acabou emprestando o nome ao bolor — o Sporothrix. O enredo era quase bucólico: o espinho fura o dedo, o fungo entra, e semanas depois nasce um carocinho que não sara, seguido de outros, subindo pelo braço em rosário, como se a infecção rezasse pelos vasos linfáticos. Doença de quem lidava com terra, palha, musgo e madeira. Coisa mansa, de quintal. Infectologista de ofício e cronista por teimosia, vejo cada vez mais esses rosários no ambulatório; e sempre me comove o fato de uma doença ter ao mesmo tempo nome de flor e vocação de espinho.
Aí o Brasil, que não faz nada pela metade, inventou sua versão. Lá pelo fim dos anos 1990, no Rio de........