JK e a verdade interditada, o laudo que faltava |
“A sua respiração ofegante e em alto volume tomava conta do quarto. Um som horrível. Maria Thereza deu a volta na cama e foi para o lado dele. Tentou acordá-lo. Jango estava com a boca aberta, buscando ar de maneira aflita, mas não conseguia respirar. Segurava com força o travesseiro. Deu um gemido mais alto e seco. Maria Thereza começou a sacudi-lo e gritou o seu nome. Como ele não reagia, saiu correndo em busca de ajuda.” Naquela madrugada de 6 de dezembro de 1976, aos 57 anos, morria o ex-presidente da República João Belchior Marques Goulart (1918-1976), o Jango, em sua fazenda La Villa, no município argentino de Mercedes. O relato é de Wagner William, na obra “Uma mulher vestida de silêncio – A biografia de Maria Thereza Goulart” (editora Record).
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Por onde caminhará Pacheco?
Três meses antes, em 22 de agosto de 1976, aos 74 anos, morria Juscelino Kubitschek em alegado acidente na Via Dutra, à altura do município de Resende (RJ), quando se deslocava em sentido do Rio de Janeiro, em um Opala conduzido por seu leal motorista de mais de três décadas, Geraldo Ribeiro. JK, construtor de Brasília, admirado pela alegria e pelo otimismo daqueles “Anos Dourados”, ali encerrava a sua trajetória: prefeito de Belo Horizonte (1940-1945), deputado federal constituinte (1945-1946), governador de Minas Gerais (1951-1955), presidente do Brasil (1956-1961), senador por Goiás (1962-1964), cassado em 8/6/1964 pela ditadura militar, teve os direitos políticos suspensos por 10 anos. Do exílio, em outubro de 1966, JK reunia Jango e o udenista Carlos Lacerda – outrora adversário e articulador do golpe militar – em torno de uma Frente........