A notícia é ruim? Matar ou não matar o mensageiro

Conta o historiador grego Plutarco (46–120 d.C.), em sua obra “Vidas Paralelas”, que quando o general romano Lúcio Licínio Lúculo (118 a.C.–56 a.C.) marchou em direção à Armênia, o primeiro mensageiro que se apressou a alertar o rei Tigrânis, o Grande, teve a cabeça cortada, como punição por “espalhar o pânico”. Depois disso, ninguém mais ousou informar o rei. Em sua ignorância, Tigrânis só aceitou que a guerra aniquilaria o seu reino quando o cerco romano já estava montado. Foi derrotado na Batalha de Tigranocerta (69 a.C.), na qual possuía vantagem numérica e teria dito ao ver as forças romanas: "Se são embaixadores, são muitos. Se são soldados, são poucos”.

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Séculos antes, o dramaturgo Sófocles, em “Antígona” (441 a.C.) já explorava a clássica metáfora de punição àqueles que transportam a má notícia. O mensageiro que leva ao rei Creonte a notícia de que Antígona o desobedecera e enterrara o corpo de seu irmão, Polinices, recebe o veredito: “Ninguém ama o mensageiro que traz más notícias". São inúmeros os exemplos registrados na história de mensageiros amaldiçoados.

Em “Antônio e Cleópatra” (1606), Shakespeare descreve a reação da rainha do Egito quando o mensageiro viaja de Roma para lhe informar que Marco Antônio havia se casado com Otávia. Cleópatra puxa o mensageiro pelos cabelos e ameaça despejar ouro derretido em sua garganta. Ele respondeu: "I that do bring the news am not the match." (Eu apenas trago a notícia, não fiz a união).

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