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Os sete reinos

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30.03.2026

Recebi de São Paulo, em dezembro, mensagem de um leitor britânico, Ian. Dizia-me que, nas suas aulas de português, ele e o professor às vezes recorrem aos meus textos “para ajudar com a leitura e a pronúncia”. Elogio maior não poderia haver para um autor, ainda mais surgindo de maneira tão imprevista.

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Escrevi de volta agradecendo. Passados dois meses, Ian enviou nova mensagem, comentando estar notando um tom mais sombrio nas minhas atuais publicações. Ele não deixa de estar certo. Desde janeiro, como registrei em “Passeando pela Espanha”, vivemos em um planeta ainda menos seguro, ainda mais violento. Mesmo um partidário do otimismo, como meu pai me designava, sente-se afetado pela rápida degradação do cenário internacional.

Em atenção à observação do meu leitor, resolvi que hoje não falarei de guerras. Quero abordar uma série de televisão. Quero discutir “O cavaleiro dos sete reinos”, mais recente programa derivado dos livros de George R. R. Martin.

Há dez anos, eu estava fascinado com “Game of Thrones”. Domingo à noite transformava-se em um dos bons momentos da semana, quando era lançado mais um episódio. Inegavelmente brutal, a história revelava-se porém tão rica em situações dramáticas ou ocasionalmente românticas, ascensões e quedas abruptas, traições, mortes inesperadas — esse era um de seus traços mais comentados pelo público — que eu a considerava irresistível.

Sofri quando morreu Cersei, a rainha assassina e........

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