Quem somos nós diante da cadeira de juiz? |
Vivemos em um tempo em que opinar se tornou um movimento quase automático. Em poucos segundos, diante de uma tela ou de um relato rápido, formamos conclusões, escolhemos lados e distribuímos responsabilidades com uma agilidade impressionante. Julgar parece simples, quase natural, como se fosse uma ferramenta essencial para o convívio social. No entanto, raramente paramos para refletir sobre o peso real que existe, não apenas no ato de julgar, mas, principalmente, na escolha consciente de abrir mão desse lugar de juiz.
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Pouco a pouco, nos tornamos juízes do mundo. Julgamos as ações alheias, as escolhas dos que nos cercam e, principalmente, as feridas que nos foram causadas. Como se, ao organizarmos o outro em certo ou errado, conseguíssemos dar sentido ao que sentimos.
Uma cena do filme “A cabana” ilustra essa dinâmica de forma profundamente humana. Nela, o protagonista, Mack, um pai tomado pela dor da perda da filha, questiona a divindade sobre a existência do mal e a aparente passividade diante das tragédias humanas. Diante de sua revolta, ele é convidado a ocupar o lugar que tanto cobrava, o de juiz. À sua frente, estão seus dois filhos, e ele recebe uma instrução: avaliar os erros e........