O que sua casa revela sobre você?
Este ano, ao vivenciar algumas perdas, fui confrontada com algo que vai além da dor da ausência: a materialidade de uma vida. Armários cheios. Prateleiras ocupadas. Inúmeros potes reaproveitáveis para mantimentos. Livros repetidos. Coleções que cresceram ao longo do tempo. Gavetas que guardam objetos nunca usados. Objetos ainda na caixa. Bolsas para ocasiões que não aconteceram. Jogos de jantar reservados para um “dia especial” que nunca encontrou data.
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Diante da finitude, sobra o excesso.
E a pergunta se impõe, delicada e incômoda: para quê?
Durante a pandemia vivemos uma experiência reveladora. A rotina encolheu. As saídas cessaram. Muitos perceberam que usavam sempre as mesmas roupas, os mesmos utensílios, os mesmos poucos objetos. O restante permanecia intacto. Ainda assim, bastava aquela peça estar na lavanderia para sentirmos falta, como se o armário estivesse vazio. Mas ele nunca esteve.
A psicologia do consumo ajuda a compreender esse paradoxo. Estudos mostram que os objetos não são apenas coisas úteis. Eles carregam significado. Compramos........
