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Nem tudo são flores: abrindo espaço para o sofrimento

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A vida também é feita de perdas. Perdas de sonhos que não se concretizaram, de um emprego, de uma amizade, de um amor. Perdas da juventude, de projetos idealizados, de versões de nós mesmos que imaginávamos viver. Em alguns momentos, a perda mais difícil é a de um ente querido. Ainda que a vida siga, há experiências que pedem tempo, presença e respeito para serem sentidas.

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Vivemos em uma cultura que tende a suavizar essas experiências. Fala-se do 60 , da melhor idade, da liberdade e do tempo disponível, mas pouco se fala das dores provocadas pelas forças que diminuem, pelas referências que mudam, pelas limitações que surgem e pelas despedidas simbólicas que acompanham o passar dos anos. Existe um lado real do envelhecer que raramente é mostrado e que, quando ignorado, se transforma em sofrimento não reconhecido.

Grande parte da dor nasce das projeções e idealizações que não se concretizam. Da vida que imaginamos e não aconteceu. Do caminho que parecia certo e precisou ser revisto. Quando não há espaço interno ou externo para elaborar essas frustrações, o sofrimento fica sem lugar e tende a se prolongar.

Elaborar a dor exige espaço e tempo. Espaço para o silêncio ou para a fala. Para a palavra ou para a escuta. Para o reconhecimento interno ou para o........

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