A vaidade que nos mantém vivos
Algumas frases permanecem conosco muito depois que a sessão termina. Foi exatamente isso que aconteceu nesta semana, quando um senhor de 75 anos, convivendo com importantes limitações de saúde, compartilhou uma reflexão que me acompanhou pelos dias seguintes:
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"Quando o homem perde a vaidade, ele está morto.”
Sua frase me fez olhar para o significado que atribuímos à vaidade. Aprendemos, desde cedo, a desconfiar dela. Durante séculos, ela foi associada ao orgulho, ao excesso e à superficialidade. Em uma época marcada pelas redes sociais, pelos filtros e pela busca incessante por aprovação, falar em vaidade parece remeter, quase sempre, à aparência, ao narcisismo e ao desejo de ser admirado.
Mas meu paciente não estava falando de nada disso.
Com a serenidade de quem conhece as próprias limitações, ele continuou: “Olha, faço um esforço danado para levantar da cama todas as manhãs. Tomar banho é um exercício. Me obrigo a fazer a barba, ir ao pilates, vestir uma roupa limpa que combina, que me deixa bem. Quando o homem começa a andar molambento, sem fazer a barba, cuidar dos dentes, de sua vaidade, ele está morto. Preciso encontrar forças para não me abandonar, cada uma dessas........
