Análise | Como a nova estratégia de defesa dos EUA afeta o Brasil ao priorizar o Hemisfério Ocidental
Se a nova Estratégia Nacional de Segurança dos EUA provocou reações entre aliados europeus em razão de seus ataques aos rumos da União Europeia, quase abandonada à própria sorte diante dos drones de Moscou, o documento divulgado pela Casa Branca há um mês, deixou claro que uma das mais importantes mudanças geopolíticas da atualidade não está do outro lado do Atlântico, mas no chamado Hemisfério Ocidental, onde está o Brasil. É ele que fundamentou a ação de Donald Trump na Venezuela.
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Como notou então o coronel Paulo Roberto da Silva Gomes Filho, do Centro de Estudos Estratégicos do Exército (CEEx), era a “primeira vez que, em um documento desse tipo, o Hemisfério Ocidental” passava a ser “o foco central da estratégia americana”. Para o coronel, isso significava “menos atenção à Europa e ao Oriente Médio… E muito mais atenção ao Brasil, à América do Sul e ao Caribe”.
Mas de que forma essa atenção se daria? Além de levar à prisão de Maduro e da captura do petróleo do País, como a nova estratégia pode explicar a “química” entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump para além das simpatias mútuas? É possível encontrar parte dessas respostas no texto do documento.
Um dos pontos importantes dele é a exposição feita pela Casa Branca de que a sua política na região deve se “concentrar em recrutar campeões regionais que possam ajudar a criar uma estabilidade tolerável na região, mesmo além das fronteiras desses parceiros”. Esses países ajudariam a deter a “migração ilegal e desestabilizadora, neutralizar cartéis”, além de impulsionar investimentos nos EUA, como os feitos pela JBS e pela Embraer.
Ao dizer que a administração Trump pretende recompensar e incentivar “os governos, partidos políticos e movimentos da região que estejam amplamente alinhados com nossos princípios e estratégia”, o documento americano afirma ao mesmo tempo que Washington não deve “desconsiderar governos com perspectivas diferentes com os quais, no entanto, compartilhamos interesses e que desejam trabalhar conosco”.
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Esse seria o caso da coalizão liderada por Lula. Mas há ainda outro ponto que explica a disposição de um governo como o de........
