Opinião | As palavras e as coisas
Não é simples passatempo a atenção que dispensamos às tais “palavras do ano” escolhidas por tradicionais publicações e instituições lexicográficas. E não é por acaso, pois as palavras nos moldam como sujeitos, estruturam nossa percepção do mundo, das pessoas e das coisas. Vagando tantas vezes pelas redes, sentimos o efeito das rage baits, as “iscas” que provocam uma raiva impotente. Sofremos o impacto do slop, o lixo digital que escorre com o furor das tempestades. Suportamos a carga negativa de imaginárias parasocial interactions, em que o interlocutor não é um ser corpóreo, real, e sim uma celebridade que nos ignora por completo ou mesmo um agente virtual qualquer.
Palavras existem também em estado de poemas que costumam ser mais cortantes e, por isso, capazes de deixar uma marca ainda mais profunda. Lembrada em vários artigos ao longo do ano, A Segunda Vinda, do irlandês William Butler Yeats, uma pequena joia literária de mais de um século atrás, ressoa com vigor inesperado. Espelho da sucessão de crises que se seguiram à Guerra de 1914, serve também como um dos espelhos do presente – um presente de outras tantas crises, múltiplas e sobrepostas, a ponto de trazer, tal como então, os traços de um “interregno”, de uma transição........

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