Opinião | Todos os deuses de todas as épocas abençoaram as armas do seu lado

Deus o quer, gritavam os cruzados (Deus vult). Como não quereria? Os que acreditavam nisso estavam ao lado do Deus correto contra o errado. O Deus cristão venceu e Jerusalém foi tomada pelos guerreiros da cruz em meio a um violento banho de sangue. No século seguinte, a Cidade Sagrada seria reconquistada por guerreiros que seguiam outro Deus.

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Desde a Ilíada, as narrativas insistem que os deuses participam ativamente das lutas militares e favorecem ora gregos, ora troianos.

Por ter abandonado as divindades corretas, Roma teria sido saqueada por bárbaros, em 410. Agostinho teve de responder a essa acusação devastadora. A Cidade Eterna cairia de novo, em 476. Um saque violento se abateria sobre a urbe, em 1527. O curioso desse último fato é que os grupos em guerra seguiam o mesmo Deus: as tropas papais e as de Carlos V, do Sacro Império.

A outra Roma, Constantinopla, foi protegida pelos deuses corretos até 1453, quando o canhão e a pólvora anularam a divina proteção. Naquele 29 de maio de 1453, parte da população bizantina, apavorada, concentrou-se em frente à Santa Sofia, esperando um prometido contra-ataque de anjos diante dos turcos. Não houve. Venceu um sultão de 21 anos amparado por outro Deus. Nascia Istambul.

Na Bíblia, fulge o Deus dos Exércitos: Ele garante........

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