Opinião | Os juízes que destroem o futuro da Justiça

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Tive um tio juiz de direito. Um intelectual melancólico com um nome bonito: Michael Peter Reinach. Formado no Largo de São Francisco, foi o primeiro brasileiro naturalizado a ser admitido na carreira. Perseguido pelos nazistas, chegou criança no Brasil junto com meu pai. Foi meu modelo de juiz, meu padrinho, quem me ensinou a montar num cavalo.

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Sempre preferiu as pequenas cidades. Foram décadas dedicadas à Justiça, primeiro em Iguape, depois em Bragança Paulista, onde vivia em um pequeno apartamento cercado de livros no centro da cidade. Até a década de 90, nas minhas andanças por Bragança, lojistas e funcionários de cartórios, reconhecendo meu nome, me perguntavam pelo parentesco. E contavam histórias sobre o juiz que circulava pela praça da cidade e sobre o afeto que despertava. Nunca enriqueceu. Foi meu herói, herdei seu cavalo, um pangaré chamado Dringo.

Foi pensando no tio Micha que assinei essa semana um manifesto que foi publicado nos grandes........

© Estadão