Opinião | A Europa espezinhada (ou a bola da vez)

A União Europeia é a nova vítima do método da humilhação espetacular empregado pelo governo Trump como arma de guerra simbólica. Pobre Europa. De repente, ela se viu submetida a um padecimento moral inédito, impensável. O bullying e o escárnio voltam-se contra ela. A Casa Branca a insulta com tarifas e desaforos. O Reino Unido, aliado histórico do Tio Sam, não escapou. Keir Starmer, polidamente, chama de “erro” a postura agressiva e predatória dos Estados Unidos. Não fez nem cócegas no Pentágono.

Qual o motivo da vez? A Groenlândia. Trump quer a Groenlândia para ele, só para ele. Ato contínuo, avolumam-se agitações em terra, mar e ar – árticos. Tropas aterrizam na imensa ilha até então calma e fria, coberta de gelo manso. Inquietações eclodem no Atlântico Norte. Atribulações fazem trepidar o continente. Emmanuel Macron, que não tem colírio, usa óculos escuros. A desorientação destempera as relações, enquanto as velhas referências, a exemplo do velho continente, vão se desmoralizando em andamentos patéticos.

Estamos imersos num “mundo às avessas”, como tão precisamente sintetizou o professor Celso Lafer, em artigo publicado aqui, nesta mesma seção, Espaço Aberto, no domingo passado (O mundo às avessas, 18/1, A4). O Direito........

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