Opinião | Para nos tornarmos humanos novamente |
Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro conseguiu autorização para participar do programa de remição de pena pela leitura. O direito está previsto na Lei de Execução Penal e foi regulamentado pela Resolução 391/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabelece a redução de quatro dias da pena a cada obra literária lida, podendo chegar a 12 livros ou 48 dias abatidos por ano. Para comprovar a leitura, o preso deve escrever um relatório sobre o que leu, a ser analisado por uma comissão de validação.
No Distrito Federal, onde Bolsonaro está preso, a Secretaria de Educação oferece um programa específico para a remição por leitura. Na lista com mais de 300 títulos que os apenados do DF podem ler, estão obras nacionais e estrangeiras, clássicas e contemporâneas, e de gêneros diversos, como romance, livro-reportagem e HQ.
Não fosse a natureza insensível e autoritária do ex-presidente, é provável que os livros selecionados pelo projeto não despertassem a curiosidade da sociedade, uma vez que muitos deles estão presentes em programas similares de outros Estados. Os títulos que Bolsonaro pode ler na prisão, no entanto, levantaram debates na imprensa e nas redes sociais sobre um suposto papel educador........