Opinião | Ainda há tempo de salvar a democracia?

A democracia representativa, tal como a herdamos do século 20, não está apenas fatigada, mas também em crise e precisa ser reimaginada com urgência. Dialogando com diferentes organizações internacionais no World Forum for Democracy, em Estrasburgo, e Better Politics Week, em Berlim, ficou claro que esse é um desafio global. Os sinais se acumulam na queda de participação política, na desinformação que corrói o debate público e na captura do espaço cívico por atores que desprezam as regras do jogo e acreditam que as instituições são um empecilho.

Assim, impõe-se uma ilusão perigosa: a de que a democracia “se sustenta sozinha”. A história recente mostra que não. Dados do Democracy Report 2025, do V-Dem Institute ligado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia, nos lembram que, pela primeira vez em mais de 20 anos, existem mais autocracias (91) do que democracias (88) no mundo. Dessa forma, a pergunta correta deixa de ser “se” a democracia pode regredir e passa a ser “como” nós a sustentaremos no dia a dia.

Steven Levitsky descreve como as democracias morrem aos poucos, quando normas informais, como o respeito às regras, o compromisso com a verdade e a aceitação da alternância........

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