Notícia | Jovens franceses optam por vinhos com menos - ou sem - álcool

Nem só de Bordeaux vive o francês — e parece que cada vez menos. Um dos países que transformaram a bebida em símbolo nacional, a França está oficialmente bebendo menos vinho. Pelo menos esses são os dados do Observatório Francês de Drogas e Tendências Aditivas que mostram que, em 2022, a população acima de 15 anos consumiu o equivalente a 2,4 copos de bebida alcoólica por dia — mais da metade a menos do que no início dos anos 1960. A principal responsável pela queda? A redução no consumo de vinho. A taça permanece, mas com mais moderação.

Segundo Eric Fajole, diretor da Business France na América Latina e conselheiro comercial da Embaixada da França no Brasil, o movimento confirma uma tendência global de consumo mais consciente. Jovens optam por rótulos com menor teor alcoólico — ou simplesmente sem álcool —, mas não abrem mão de qualidade. “O setor vem se adaptando por meio da inovação em estilos, formulações e comunicação, sem abrir mão de sua herança cultural e da exigência de qualidade. O vinho continua tendo forte valor gastronômico e cultural no país, mas passa a ser consumido de forma mais consciente”, afirma. Não por acaso, a Wine Paris 2026 terá um pavilhão dedicado exclusivamente a bebidas sem álcool, com foco em orgânicos, menos aditivos e produção sustentável.

A edição da feira, que termina esta semana, também deve refletir o novo tabuleiro geopolítico, com as políticas protecionistas de Donald Trump e o acordo Mercosul–União Europeia no radar. Para Fajole, o cenário abre oportunidades para a América Latina. “O interesse crescente pelo mercado brasileiro, a elevação da qualidade da produção local e o surgimento de novos polos vitivinícolas reforçam o Brasil como mercado estratégico para toda a cadeia do vinho.”

Ainda segundo o conselheiro comercial da Embaixada da França no Brasil, a participação brasileira no evento francês cresce de forma consistente: o número de profissionais que visitam o local aumentou 76% em 2024. Mesmo sem subsídios políticos ao setor, a vitivinicultura brasileira desperta interesse em atores europeus, seja como consumidora ou produtora.

“O Brasil se destaca hoje como um dos mercados de vinho mais promissores, com um consumo que praticamente triplicou na última década e uma produção nacional em plena expansão”. Fajole cita novos polos vitivinícolas em estados como Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e o Vale do São Francisco, com forte ênfase no enoturismo.


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